“Se esforça mais”, “é só falta de vontade”, “isso é preguiça”. Essas frases são comuns na vida de quem convive com o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). A confusão entre TDAH e preguiça é um dos maiores fatores de estigmatização do transtorno e pode gerar sofrimento emocional profundo, especialmente quando o diagnóstico é tardio.
Neste artigo, você vai entender por que o TDAH é frequentemente confundido com preguiça, quais são as diferenças reais e como essa visão equivocada impacta a vida de crianças e adultos.
O que as pessoas chamam de preguiça?
A preguiça costuma ser entendida como falta de vontade ou desinteresse em realizar tarefas, mesmo quando a pessoa tem condições para isso. No senso comum, ela é associada à escolha de não agir.
Já no TDAH, a dificuldade não está na vontade, mas na capacidade de iniciar, manter e concluir tarefas, mesmo quando há desejo e responsabilidade envolvidos.
Por que o TDAH é confundido com preguiça?
Essa confusão acontece porque muitos sintomas do TDAH são invisíveis e mal compreendidos.
1. Dificuldade de iniciar tarefas
Pessoas com TDAH podem levar muito tempo para começar algo importante, não por falta de interesse, mas por dificuldade de ativação mental.
2. Procrastinação frequente
A procrastinação no TDAH está ligada à dificuldade de organização, priorização e percepção do tempo — não à falta de esforço.
3. Oscilações de desempenho
Quem tem TDAH pode ter dias extremamente produtivos e outros de baixa performance, o que gera a falsa ideia de “quando quer, faz”.
4. Cansaço mental constante
O esforço para manter o foco é muito maior, o que gera exaustão emocional e cognitiva.
O impacto emocional dessa confusão
Ser rotulado como preguiçoso(a) pode causar:
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Baixa autoestima
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Culpa excessiva
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Ansiedade e estresse
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Medo de errar
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Desmotivação
Muitas pessoas com TDAH crescem acreditando que são incapazes, quando na verdade enfrentam um transtorno neurobiológico real.
TDAH não é falta de caráter nem de esforço
O TDAH é reconhecido pela medicina e pela ciência como um transtorno do neurodesenvolvimento, com base neurológica e genética. Ele afeta funções executivas como planejamento, organização, memória de trabalho e controle do tempo.
Ou seja: não é uma escolha.
Como explicar essa diferença para outras pessoas?
Uma forma simples de explicar é:
“A preguiça é quando a pessoa não quer fazer. O TDAH é quando a pessoa quer, mas encontra barreiras internas para conseguir.”
Usar exemplos práticos e falar sobre o impacto emocional ajuda a gerar empatia.
O papel do diagnóstico e do tratamento
O diagnóstico correto permite:
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Autoconhecimento
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Redução da culpa
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Acesso a estratégias adequadas
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Melhora na qualidade de vida
Com acompanhamento profissional, pessoas com TDAH conseguem desenvolver rotinas, habilidades e estratégias que respeitam seu funcionamento cerebral.
Como apoiar alguém com TDAH
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Evite julgamentos e rótulos
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Incentive a busca por ajuda profissional
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Ofereça apoio prático, não cobranças excessivas
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Reconheça esforços, não apenas resultados
Conclusão
Quando o TDAH é confundido com preguiça, o problema não está na pessoa, mas na falta de informação. Compreender o transtorno é um ato de empatia, respeito e cuidado.
Informação transforma julgamento em apoio — e apoio transforma vidas.

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